Velhos Vícios

Vícios. Tenho vários. Velhos, novos. Não importa. Aquelas coisas que não consigo deixar de fazer, mesmo que não as faça a muito tempo. Confuso? Também acho.

Quinta-feira, Abril 20, 2006

Palavras e silêncios


Na espera pelo início de um compromisso hoje pela manhã, eu tomava um capuccino e lia uma revista Veja no hall de entrada do Teatro do Sesi em Porto Alegre. Achei uma crônica da Lya Luft falando sobre palavras e silêncios.

Diariamente me questiono sobre o real valor das palavras. Às vezes chego a conclusão de que, definitivamente, eu dou muito valor a elas. Mais do que deveria, talvez? Talvez. Logo em seguida, porém, vejo que não consigo concluir nada.

Nosso dia-a-dia é cheio desses momentos de obtenção e perda de certezas...

Voltando à crônica, acho fascinante como pessoas que não se conhecem podem pensar de formas tão parecidas. Vemos isso em relação à identificação que sentimos com alguns textos, músicas. Mais do que isso, acredito que haja uma espécie de senso comum a respeito de alguns sentimentos e sensações. Uma linha invisível que une mentes que pensam de forma semelhante.

Tudo isso é pra dizer que eu penso como a Lya Luft. Para dizer que ler essa crônica, tão adequada ao meu momento atual de vida, fez-me pensar sobre várias coisas. Cada vez mais me convenço de que o acaso não existe. O que você acha?

Abaixo, transcrevo trechos do texto:

Falar, Calar (Lya Luft)

"...A mim seduzem palavras e silêncios, e jeitos de olhar. O formato de uma boca melancólica, ou o baixar de uma pálpebra que esconde o desejo de morrer ou de matar, ódio ou desamparo, hipocrisia, ah, o olhar sorrateiro, o estrábico olhar dos mentirosos.

A mim interessam as coisas que normalmente ninguém valoriza. Porque o real está no escondido...

... Nas relações amorosas, sou fascinada pela fração de segundo, o lapso mínimo em que os olhares se desencontram e a palavra que podia ter sido pronunciada se recolhe por pusilanimidade, egoísmo ou autocompaixão. E a cumplicidade se rompe e a gente se sente sozinha.

O caminho do desencontro é ladrilhado de silêncios, quando se devia falar, e de palavras quando o melhor teria sido ficar calado: e a gente sabia, ah, sim, sabia. Pior: é ladrilhado de gestos que não foram feitos quando o outro tanto precisava.

E no silêncio o peso da omissão, cumplicidade com o erro, se agiganta...

... Palavras são animais esquivos, ora belos, ora mortais..."

Esses foram os trechos que mais me tocaram. A crônica foi publicada em setembro de 2005.

1 Comments:

  • At 9:04 PM, Anonymous nadia said…

    Obrigada por compartilhar. É um belo texto. Parece-me que a Lya Luft entende mesmo o que a gente gostaria de dizer, mas acaba por se perde nas palavras.

     

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